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A cultura europeia é incompreensível sem o contributo da Alemanha, sem a sua música, a sua literatura, a sua filosofia, a sua ciência.

Descida histórica dos juros

Rompeu-se ontem mais um nível de resistência no campo monetário. Pela primeira vez, a Euribor a seis meses desceu abaixo de 1%, ficou-se nos 0,997%. Este é o custo do euro transaccionado entre bancos comerciais. E, já não apenas a três meses, mas sim à distância de meio ano, o que este preço nos diz é que o mercado não acredita que os grandes bancos centrais - a FED norte-americana, o BCE na Europa continental, o BoE britânico - tenham tão cedo condições para recomeçar a subir as taxas directoras das respectivas divisas.

Acontece que, em Portugal, a Euribor a seis meses é a base sobre a qual se constrói a quase totalidade dos juros dos empréstimos hipotecários. Este sinal é, assim, de primordial importância para um milhão e meio de famílias portuguesas que investiram na compra de casa própria. Mas a Euribor não é a totalidade do custo que elas têm de suportar: sobre essa base há que acrescentar a margem dos bancos (o spread), que, neste momento - situando-se bem acima de 1% -, já pesa mais do que a própria Euribor. A redução desta outra fatia só surgirá com a reanimação da economia, com maior dinamismo no mercado imobiliário e com uma maior agressividade comercial por parte dos bancos, confrontados com a pressão de uma concorrência acrescida. Até lá, esta pausa nos juros pode constituir uma oportunidade para discutir com o respectivo banco as possíveis alternativas para a inevitável subida dos juros, mesmo que ela só comece a doer no orçamento familiar lá para 2011 ou 2012.

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O actor e realizador Matheus Nachtergaele é o convidado de honra da 4ª Mostra de Cinema Brasileiro, que decorre de hoje até depois de amanhã, domingo, no Cinema S. Jorge, em Lisboa. Abre com "Romance", de Guel Arraes, às 16 horas.

Pelo quarto ano consecutivo, são apresentados alguns filmes contemporâneos e são homenageadas algumas personalidades do meio cinematográfico brasileiro.

O programa, que inclui um total de 12 filmes, está dividido em três segmentos, um por dia. Assim, hoje, estará em destaque, de forma genérica, a produção mais recente, com o grande destaque para a exibição, às 23 horas, de "Meu nome não é Johnny", de Mauro Lima, o filme brasileiro mais visto no ano passado. Antes, poder-se-ão ver o já referido "Romance", "Santiago", documentário de João Moreira Salles (18.30 horas), e "Chega de saudade", de Lais Bodanzky (21).

O dia de amanhã será ocupado com a homenagem ao realizador Domingos de Oliveira, que não estará presente entre nós, como fora inicialmente anunciado. Um veterano da televisão brasileira, onde dirigiu, por exemplo, a série "Confissões de adolescentes", tem também uma obra variada no cinema, como se poderá verificar pela exibição de quatro dos seus filmes, tocando géneros tão distintos como a comédia ou o drama: "Feminices" (16 horas), "Separações" (18.30), "Juventude" (21) e "Carreiras" (23).

A mostra termina, em beleza, no domingo, com a presença do actor Matheus Nachtergaele, que estará junto do público na sessão da noite a apresentar o seu primeiro trabalho como realizador, "A festa da menina morta".

Exibido na secção Un Certain Regard e considerado um dos grandes filmes de Cannes em 2008, o filme aborda com crueza e frontalidade a questão da fé, na região amazónica.

Durante o dia, serão ainda exibidos outros trabalhos em que Nachtergaele participou como actor: "O auto da compadecida", (16 horas), "Tapete vermelho" (18.30) e "A concepção" (23).